Lenda das Três Árvores


Um questionamento sobre o tema Pedi e obtereis:

... Tu disseste que Deus atende sempre as nossas orações, mas eu não concordo. Há anos faço um pedido em minhas orações, mas ele nunca é atendido. Eu sei que não sou nenhuma santa, mas procuro seguir com serenidade os ensinamentos do Evangelho de Jesus. eu busco sempre perdoar e tenho fé, pois creio sinceramente na vida espiritual. Como me explicas isso?


Existe uma lenda que corre o mundo, que nos traz uma profunda lição.

Havia um bosque, em determinada região da Ásia, onde viviam felizes diversas árvores. Lá a paz e a felicidade reinavam. Até que certo dia chegou na floresta um grupo de lenhadores. Eles comentaram que necessitavam de três árvores especiais para atenderem a um último pedido que lhes havia chegado há dois dias. Os lenhadores analisaram as árvores do bosque, escolheram, por fim, as três árvores que seriam cortadas no dia seguinte. Após a decisão, os lenhadores foram embora, enquanto as três jovens árvores choraram amargamente o triste fim que o destino lhes reservara.

Alguns minutos após, resignaram-se, pois eram árvores que tinham fé em Deus. E se o Pai assim desejava, assim seria. Consoladas pelas outras irmãs, as três resolveram fazer u pedido a Deus em suas derradeiras orações. A primeira pediu ao Pai que de sua madeira fosse confeccionada o trono para o maior rei do mundo. A segunda pediu a Deus, que de sua madeira fosse elaborada uma grande embarcação que iria conduzir o maior dos reis e suas grandes riquezas e, por fim, a terceira árvore pediu apo Criador que de sua madeira fosse construída uma grande torre que ligasse o homem a Deus.

Após realizados os pedidos, desceu do céu um anjo, enviado por Deus, que disse às três árvores:

"Vossos pedidos serão atendidos, tenham fé em Deus e aguardem! "Todos na floresta festejaram, agradecendo a assistência Divina. E no dia seguinte os lenhadores foram à floresta e consumaram o plano do dia anterior. As três árvores tombaram serenas, confiantes na promessa Divina.

O tempo passou e a primeira árvore foi transformada em um cocho para a alimentação de porcos. A segunda, foi transformada em um pobre barco de pesca e a terceira, nada fizeram dela, apenas jogaram seus pedaços em uma penitenciária,para lá ser utilizada em qualquer eventualidade.

A notícia logo chegou ao bosque, onde as demais árvores se indignaram com a falsa promessa do anjo. Todas perderam a fé em Deus.Somente as três pobres árvores, que não entendiam o que estava acontecendo, mantiveram-se firmes na fé.

O tempo continuou a passar, até que um dia o cocho de alimentar porcos, que era a primeira árvore, foi comprado pelo dono de uma estalagem em Belém. Alguns meses após, José e Maria tiveram que repousar nas estrebaria dessa estalagem, devido à falta de quartos. Naquela noite nasceu o Rei dos reis e o seu primeiro trono foi o cocho de alimentar porcos da estrebaria. Jesus repousou toda a noite na manjedoura de virou um símbolo mundial do nascimento de Cristo. A primeira árvore, percebendo que estava sendo o primeiro trono do maior rei do mundo, rejubilou-se e agradeceu a Deus por ter-lhe atendido o pedido.

Alguns anos mais se passaram, e a segunda árvore, que foi transformada em barco de pesca, foi comprada por Simão Pedro Barjonas, um pescador da Cafarnaum. Algum tempo depois estava ele, o Grande Rei, passeando e pregando sobre aquela embarcação, Jesus carregava consigo o seu grande tesouro: seus ensinamentos! A segundo árvore, também percebendo que seu pedido tinha sido atendido, agradeceu a Deus. Ela que queria ser uma grande embarcação, para transportar um grande rei e suas riquezas, havia concretizado seu sonho.

Mais alguns anos depois, a terceira árvore foi retirada da carceragem por dois soldados romanos. Apreensiva, ela aguardou o desenrolar dos fatos, acreditando que sua oração seria atendia. Logo, seus pedaços foram unidos, apressadamente,  em forma de cruz. Nela colocaram o melhor homem do mundo, pregando-lhe as mãos e os pés em sua madeira. Reconhecendo o filho de Deus, que os homens não souberam reconhecer, a terceira árvore, em prantos, disse: "Porque, meu Deus? Peço-te para ser uma torre que liga o homem a Deus, e Tu me tornas o instrumento para a morte do Teu Amado Filho! Por que fizeste isto comigo? " As lágrimas da terceira árvore corriam pelos ombros do Nazareno, que estava agonizando no alto da cruz, quando uma voz falou-lhe: "Minha filha, neste momento estás sendo motivo de sofrimento para Meus Amado Filho, mas no futuro tu serás, junto com ele, o grandioso símbolo que ligará todos os meus filhos a mim. O símbolo do Cristo crucificado será o maior ele de ligação entre os homens e o Criador."

Compreendendo,por fim, que também seu pedido havia sido realizado, a terceira árvore converteu suas lágrimas de dor, na mais pura oferta de alegria a Deus, por tornar-se a grande torre que ligaria, por séculos os homens a Deus.

- Nossos pedidos são como o destas árvores. Nós pedimos coisas sempre imaginado a glória e o confortante para acertarem na loteria? E como são poucos aqueles que cresceriam espiritualmente se tivessem a posse das riquezas!

Deus sabe, mais do que nós, o que é melhor para o nosso crescimento espiritual. Devemos pedir a Ele que nos ilumine os caminhos e que se faça a sua vontade, pois ele sabe melhor do que ninguém o que é útil ao nosso progresso espirital.

A prova da pobreza, muitas vezes, é uma bênção Divina que visa acordar os invigilantes. Pois, por quantos meios agradáveis Deus e Jesus tentam chegar até nós, mas poucas vezes percebemos? Então o Criador é obrigado a utilizar-se de recursos dolorosos, mas eficientes.

Através das dificuldades do dia-a-dia, de que desejamos sempre nos livrar, encontramos o passaporte para a ventura espiritual. Em meio às dificuldades aprendemos a dar valor às riquezas do espírito, como a paciência, a tolerância, e a compreensão. Enquanto aqueles que possuem de tudo, e de nada precisam, vivem em redomas de vidro, alheios à dor e ao sofrimento de seus semelhantes, sem ter quem jamais, abrir mão de um capricho. Estes transformam-se em infelizes criaturas, indiferentes à dor de seus semelhantes. São pessoas vazias e egoístas, lembrando mais animais, do que a própria imagem de filhos de Deus.

Devemos, irmãos,  pedir, sim, a Deus, a Jesus, a Maria, aos Santos e aos nossos Anjos Protetores. Mas pedir que Eles nos mostrem o caminho, segundo a sabedoria do Pai, colocando em segundo plano as nossas intenções. Se o nosso pedido for coerente, para o nosso progresso espiritual, nesta encarnação, Deus nos abençoará com a sua realização, caso tenhamos mérito; se não, tenhamos fé e paz no coração, e analisemos nossas vidas, pois, muitas vezes, nosso pedido já foi atendido, de outra forma, e não percebemos, porque estamos obcecados desejando que ele se realize tal qual imaginamos.

Trecho extraído do livro A história de um Anjo - Roger Bottini Paranhos - cap 21




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