sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Auto-aceitação


Na psicologia contemporânea, a análise da evolução de trauma emocional deve seguir o seguinte sentido. O Trauma é seguido de um estado Confusional, depois, de uma Não Aceitação, depois exige um período de Racionalização, para só então o indivíduo voltar ao equilíbrio do qual se afastou pela dor sofrida.

Se observarmos bem essa dinâmica do sofrimento, veremos que o maior obstáculo para que o indivíduo volte à harmonia, após um processo doloroso, é a não aceitação, que pode ser manifestada como revolta, amargura, mágoa, indignação etc. 

O caso que apresentaremos hoje mostra uma orientação dada por Emmanuel, através de Chico, para uma senhora que acabara de perder dois filhos em um acidente. 

Ouçamos o caso.

As palavras de Chico Xavier estão sempre revestidas de luz, descortinando novos caminhos para os nossos passos. Ele é uma fonte inesgotável de bênçãos, dessedentando os corações cansados de sofrer no vale das provações humanas. Por isto, quando ele fala, todas as vozes se emudecem e todos os ouvidos se aguçam, a fim de guardar-lhe os ensinamentos nos escrínios da própria alma. 

Recordo-me de que, há muito tempo, uma mãe aflita, ao debruçar-se-lhe sobre os ombros, indagou em lágrimas:

"Chico, o que vou fazer agora da minha vida?! Perdi os meus filhos, Chico, num desastre... Morreram os dois... A minha dor é terrível... Estou desesperada..."

O episódio nos comovia a todos, no "Grupo Espírita da Prece", em Uberaba.

Fitando-a com os olhos igualmente repletos de lágrimas, o incansável servo do Cristo lhe respondeu:

"Filha, o nosso Emmanuel sempre me diz que a aceitação de nossos problemas, sejam eles quais forem, representa cinquenta por cento da solução dos mesmos; os outros cinquenta por cento vêm com o tempo... Tenhamos paciência e fé, pois não estamos desamparados pela Bondade Divina."

Bastou que ouvisse essas palavras do Chico, para que aquela senhora se acalmasse em uma cadeira próxima, começando a refletir sobre os Desígnios de Deus.

De nossa parte, ficamos também, em silêncio, a meditar na grandeza da lição daquela hora, a respeito da aceitação do sofrimento, perguntando a nós mesmos quantas dores maiores poderíamos evitar, se nos resignássemos ante as dores aparentemente sem remédio que nos visitam no cotidiano...


Auto-aceitação


 

O nosso aprimoramento, de espíritos eternos, no longo processo da evolução espiritual, precisa contar com a nossa auto-aceitação, através do possível conhecimento que tenhamos de nós mesmos. Não é fácil.

A religião procura nos ajudar, as ciências do comportamento trazem, hoje, suas importantes contribuições. Para podermos nos ajudar, precisamos, cada vez mais, conhecer e, sobretudo, aceitar-nos.

Essa compreensão é tão necessária que Allan Kardec indagou aos Mentores Espirituais:

- Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e resistir à atração do mal?

- Um sábio da antiguidade vo-lo disse: "Conhece-te a ti mesmo". (Questão nº 919 de O Livro dos Espíritos.)

Sob o ponto de vista religioso, Kardec debruça-se sobre o Evangelho de Mateus e nos lembra: "Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? - Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? - Sede, pois, vós outros perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial". (Mateus, cap. V.vv.44, 46 a 48.) 

A seguir ele analisa o comportamento do homem de bem e comenta: "Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera." (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3, parágrafos 12 e 13.) 

Em nosso aprimoramento existe a necessidade da auto-aceitação, pela qual possamos reconhecer as nossas possibilidades e limitações e, sobretudo, não sermos dependentes absolutos da aceitação ou desaprovação dos outros.

Precisamos ter a vontade de ver, de entender, de saber e sermos conscientes, cada vez mais, de nós mesmos.

Quando percebemos o que pensamos, sentimos e somos, teremos condições de mudanças no aprimoramento da nossa personalidade ou espírito. 

Se nos olharmos em um espelho, poderemos observar certas partes do nosso corpo de que nós não gostamos, sob o ponto de vista estético, e teremos o impulso de não olhar mais para aquela parte, por exemplo: sejam os olhos, a boca ou o nariz. 

No entanto, temos que aceitar aquelas partes, quando não haja recurso financeiro ou condições técnicas para a cirurgia plástica. 

Há pessoas que sentem e dizem: - "Ah, eu não gosto de ver tal parte do meu corpo".

 Consideremos que gostar é diferente de aceitar. A pessoa pode não gostar, mas ela precisa aceitar aquela parte do seu corpo para psicologicamente estar bem.

Precisamos aceitar o que somos para podermos melhorar e chegarmos àquilo que queremos ser. 

Desta maneira, aproveitemos alguns minutos para "visualizar" um sentimento ou uma emoção que não conseguimos enfrentar com facilidade: dor, medo, insegurança, tristeza, humilhação, inveja, raiva. Depois de focalizar este estado mental ou emocional, procuremos senti-lo sem oferecer resistência, aceitando-o como ele é.

Exemplifiquemos com uma situação em que deveremos falar a um público e temos medo de falar a um grupo de pessoas. 

Deveremos aceitar o medo. Saber que esse medo é natural para a maioria das pessoas. 

Procuremos controlar a situação. Após a aceitação do medo e das reações que ele provoca:

 aumento do batimento cardíaco, respiração mais rápida, pode haver até aumento de transpiração, desenvolver procedimentos que nos ajudem a enfrentar a situação e não fugirmos dela. Inspirar e expirar profundamente, aceitar a alteração orgânica como natural, pensarmos que é um estado mental e emocional passageiro, enfrentarmos a situação desconfortante e falarmos o que tem que ser dito. 

Com o passar do tempo assumiremos o controle orgânico e as idéias fluirão com mais facilidade. Finalmente sentiremos grande alívio e bem-estar por termos exercitado a auto-aceitação, enfrentado o medo e nesse estado intelectual e emocional de auto-aceitação termos vencido o problema.

Essa técnica de auto-aceitação preconizada por muitos psicólogos vem nos ajudar no processo psicológico e espiritual do auto-aprimoramento, se pudermos aplicá-la sempre que tivermos desafios pela frente. 

Ao lado do "conhece-te a ti mesmo ", usemos, também, o "aceita-te a ti mesmo". 
AYLTON PAIVA 

extraído http://www.oconsolador.com.br/3/ayltonpaiva.html
 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

OTIMISMO ESTRATÉGIA PARA UMA VIDA SAUDÁVEL



     
Na ambiência da pedagogia espírita é possível abordar uma questão complexa e que não pode ser negligenciada: o problema do saber viver como Espírito, que é imortal, pois grande parte da dignidade humana consiste em educar-se sobre o sentido da vida, sendo este sentido revelado nos contextos das nossas relações e ações (nossas obras).

Se somos imortais, somos antes, durante e depois dessa nossa existência atual. Logo, a arte de saber viver como Espírito não pode estar ligada a atitudes paliativas ou irreflexivas de viver e conviver.

Saber viver como Espírito exige uma espécie de disciplina (boa vontade) e uso da atenção (insistente, dinâmica e contínua) para que atinjamos níveis de ser-fazer que nos apontem, sem enganos, crescimento íntimo. Nesse propósito, é preciso, sem dúvida, que confiemos na coerência do nosso programa reencarnatório para que o aprendizado e o treinamento dessa arte sejam desenvolvidos com êxito e alegria.

Ora, essa confiança elementar, por sua vez, é exigente de um recurso fundamental: o otimismo. A favor de todas as evidências, o comportamento otimista, na graça e no absurdo. Habilita-se ao reencontro, valioso, de nossa essencial esperança de seres humanos.
Em certas situações, as interpretações que podemos possuir sobre doenças, injustiça, sofrimento, não resistem. Novamente nossa questão será a de nos questionarmos sobre o fato de que habitamos um planeta no qual coexistem, ao mesmo tempo, a beleza da flor, do céu e das terras, da diversidade da flora, da fauna, dos recursos naturais (pelo fluxo das leis naturais) e a presença da pobreza, preconceitos, guerra, violência, desamor (pelo fluxo da ação humana, calcada na ignorância)...

Vem-me então à lembrança uma estratégia para a vida criada pelo indiano Swami Sivananda (1) e que nos serve como uma lição a ser adotada para o nosso cotidiano de seres existentes, chamados à felicidade:

Um rei tinha um companheiro/ ministro de quem gostava muito, exceto por uma coisa que o irritava demais. O ministro tinha o hábito de dizer: “Tudo o que acontece é para o bem” a tudo o que acontecia à sua volta, fosse bom ou ruim. Então, um dia o rei cortou o polegar enquanto manuseava uma faz, e o ministro, que estava presente, disse imediatamente: “Tudo o que acontece é para o bem.” Esse comentário deixou o rei furioso, a ponto de mandar o ministro para a prisão. Para se consolar, ele foi caçar sozinho na floresta.
Ele deve ter-se distanciado muito e ultrapassou as fronteiras do reino, pois deparou com uma tibo que o capturou. Infelizmente para ele, essa era uma tribo que oferecia sacrifícios humanos à sua divindade. Assim, o rei foi levado a um sacerdote para ser oferecido em sacrifício. Enquanto banhava o rei, o sacerdote percebeu o polegar ferido; como uma pessoa com defeito não podia ser oferecida à divindade, o rei foi recusado e em  seguida libertado. 

O rei voltou ao seu palácio mergulhado em pensamentos, e compreendeu que o ditado do ministro era correto. De fato, o polegar cotado salvara a sua vida. Assim que chegou ao palácio, ele libertou o ministro e lhe disse: “Você tinha razão sobre mim; afinal, tudo o que aconteceu foi para o meu bem. Mas eu o joguei no calabouço pelo que você me disse, o que não parece ter sido bom para você. Como explica isso?

O ministro respondeu: “Grande rei, ao jogar-me na prisão salvastes também a minha vida. Do contrário, eu teria acompanhado na caçada, teria sido capturado, e como não tenho nenhuma imperfeição, teria sido oferecido em sacrifício.”

Em síntese, um relacionamento saudável com a vida aponta a necessidade da internalização de uma visão positiva de tudo. Ao desenvolver essa habilidade, os acontecimentos rotineiros poderão ser interpretados pelo otimista como oportunidades abençoadas no seu caminho, que só se faz ao caminhar.


   Eugênia Pickina _ Jornal o Imortal fev 2008

Bibliografia:
(1)     Apud GOSWAMI, Amit. O médico quântico: orientações de um físico quântico para a saúde e a cura. Tadução de Euclides L. Calloni, Cleusa M. Wosgrau. São Paulo: Cultrix, 2006, pp 208-9

domingo, 28 de janeiro de 2018

Um minuto com Joanna de Ângelis

Ninguém que se encontre em regime de exceção.

A vida, na Terra, é feita de experiências evolutivas, em que o processo de crescimento se faz através dos cursos educativos dos sofrimentos.

Nem todas as tribulações, no entanto, são decorrência da imposição das divinas leis.

Quando o Espírito se dá conta dos erros cometidos numa etapa, roga a bênção do recomeço sob o açodar dos sofrimentos que o aprimoram, ensinado-o a valorizar a oportunidade e a criar melhores condições para o equilíbrio futuro.

Entendendo a vida como um processo eterno de evolução, conquistas, numa oportunidade, o que noutra não soube considerar e, quando tal ocorre, porque o amor foi desdenhado, é no sofrimento que se aprimora.

As tribulações solicitadas constituem bênção que deve ser vivida com alegria, mediante o aproveitamento de cada instante, mesmo  que, aparentemente, sob a rudeza causticante da agonia.

Noutras vezes faz-se imperioso expungir, e os soberanos códigos, ensejando a libertação do calceta que, renitentemente, se entregou ao desvario, convidam-no à reparação expiatória com que conquista a paz, mediante os exercícios mais dolorosos da angústia ou limitação, das mutilações ou da saudade..

Joanna de Ângelis, mentora espiritual de Divaldo Pereira Franco. Livro Receita de Paz

domingo, 14 de janeiro de 2018

A Proposta de Crescimento da Oração Pai Nosso


Como o maior psicoterapeuta que já existiu, Jesus conhecia profundamente a alma humana e aproveitava todas as oportunidades para apresentar Seus ensinamentos e propostas de crescimento.

Todos os acontecimentos eram aproveitados como lições iluminativas, como luz para clarear o caminho de escuridão que Ele sabia que necessitaríamos atravessar.

Aproveitaremos de um desses momentos grandiosos e, analisaremos a proposta de crescimento da Oração do Pai Nosso.

Jesus estava pregando no Sermão da Montanha para uma multidão de pessoas, e entre tantas pétalas de luz ele nos trouxe:

Pai Nosso ...
Jesus nos apresenta um Pai, amoroso, afável e que compreende nossas limitações, inclusive o fato de não entendermos que Ele é Pai de todos: dos certos, dos errados, dos santos e dos mundanos, daqueles que amamos e também daqueles que detestamos. Na nossa presunção tomamos a posse de Deus e O colocamos dentro da nossa caixinha de preconceitos e tentamos diminuí-lO, nós somos excludentes e achamos que Ele também.
 
Deus, como Pai amoroso que é, nos conhece por inteiro. E esse é o nosso desafio, sermos inteiros porque viver só de intenções não é o suficiente. Deus está além do limite que qualquer religião possa tentar colocá-lO.

Que estais nos céus ...
Que céu é esse? Em uma análise psicológica habitar a terra colocaria Deus a serviço das questões do ego, e Deus não se ocupa com nossas questões egoicas, a vida humana precisa desenvolver-se a partir do esforço pessoal para melhorar-se. Os céus são a representação de um estado onde o ego não domina, onde a entrega acontece, nesse lugar não existem expectativas, só o mais puro sentimento de amor, integridade e plenitude.

Como seria o mundo se Deus atendesse a todas as nossas vontades?

Santificado seja o Vosso nome ...
Santificar, literalmente, significa o processo pelo qual se separa algo ou alguém para um uso ou um propósito religioso, o que podemos entender que santificar o nome de Deus é compreender a sua função de integração na psique. Santificar é estar ligado a Deus, é honrá-lO de maneira tão profunda que, como propõe a teologia, nos aprimoraremos tanto como seres humanos que nos aproximaremos das qualidades divinas.

Isso significa que quanto mais nos conhecermos, mais a nossa relação com o Pai se torna estreita, pois teremos a capacidade de senti-lO como presença viva em nossas vidas. Santificar não é reconhecê-lO de fora para dentro, é senti-lO dentro para mudarmos fora o que precisamos mudar.

Venha a nós o Vosso reino ...
O reino de Deus é diferente do que entendemos por reino. Esse reino é regido pelo amor. “Venha a nós o Vosso reino” representa a nossa vontade de amar, essa é a nossa ânsia desde o momento em que nascemos. O coração do homem precisa ser o reino de amor onde possamos encontrar com Deus.

Precisamos abrir mão do poder terreno para que possamos usufruir da liberdade de ser reis de nós mesmos, de conduzir a nossa vida com a plena certeza de estar fazendo a coisa certa, porque o Rei maior que é Todo amor nos guia.

Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como nos céus ...
A vontade está ligada ao Self; desejar é atributo do ego. Mas ter vontade e direcionar a vida para realizá-la é impulso do Self. Aqui nos deparamos com as escolhas: se a nossa vida for guiada pelo ego, as nossas escolhas serão direcionadas para atender os nossos desejos imediatos; se estivermos direcionando a nossa vida aos apelos do Self, faremos escolhas desafiadoras e que nos coloquem na condição daqueles que compreendem que tudo o que acontece é para o nosso crescimento, para a nossa evolução.

Atender a essa vontade é o maior exercício de humildade!

O Pão nosso de cada dia nos dai hoje...
Mesmo com tantos necessitados do pão físico no nosso planeta, é ainda muito maior o número de necessitados do pão que alimenta a alma, a psique. Do que realmente temos fome?

        O pão é o alimento essencial, símbolo do alimento espiritual, assim como Jesus afirmou ser o Pão da Vida. Precisamos nos nutrir espiritualmente todos os dias, pois assim como nutrimos o corpo, nossa alma precisa ser abastecida dos valores eternos, da bondade, paciência, benevolência, humildade, da fé... E principalmente do fermento do amor.

        Essa busca pelo alimento da alma precisa ser feita no momento presente, no agora, precisamos vivenciá-lo todos os dias, sem adiamentos. Não precisamos fazer economia desse alimento, deveremos saboreá-lo ao máximo.

        Hoje... Jesus não diz simplesmente que devemos querer o pão, mas querê-lo hoje. E o hoje é a única certeza que temos, por isso, precisamos ser melhores aqui e agora, exatamente hoje. E no dia em que todos se alimentarem do pão espiritual, diariamente, o pão físico não faltará na Terra, porquanto vencido o egoísmo a prosperidade e solidariedade reinarão.

Perdoai as nossas dívidas, como também nós perdoamos aos nossos devedores...    
        O quanto estamos devendo à vida? Devemos: gratidão, compreensão, amor, gentileza, respeito, paciência, solidariedade, afeto e muito mais. Temos “dívidas” uns com os outros, com todos que nos precederam e prepararam caminho para nosso crescimento, e esse sentimento deve nos mover na direção da humanidade.

        Precisamos ter contato com as nossas fragilidades, aprender a lidar com os erros do passado, não para autovitimização ou autocondenação, mas para nos libertar deles através do autoamor e da responsabilidade que assumimos perante nossos atos. Caso não façamos isso conosco, dificilmente teremos condições de perdoar aos nossos devedores, pois estaremos vendo neles o que estamos deixando de fazer por nós e pelo próximo.

        A nossa dívida será perdoada na medida em que também conseguirmos perdoar o outro. Quando conseguirmos compreender que cometemos erros na trajetória, e que muitas vezes por orgulho deixamos de ser como poderíamos ser, também compreenderemos que o outro, na sua trajetória, encontra dificuldades no caminho. Quem aprende a amar, perdoa-se e perdoa. Libertando-se, também liberta o outro da responsabilidade do mal que nos atinge.

Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
        Toda mudança exige de nós que percorramos uma trajetória. Para isso, precisamos reconhecer as nossas prisões interiores e termos coragem para sair delas. Se não conhecermos a nossa sombra, facilmente cairemos em tentação, ou seja, nos identificaremos com ela de maneira tal que agiremos na vida de forma equivocada e muitas vezes perversa. E ainda a projetaremos fora, encontrando todo o mal no outro e no mundo, enquanto nos esquecemos de verificá-lo em nós mesmos.

        “Livrarmo-nos do mal” não significa querer se libertar por um passe de mágica do nosso lado sombrio, mas construir valores morais suficientes para sermos mais fortes que as nossas más inclinações. Que não caiamos na tentação do poder, das glórias externas, da ilusão do mundo material. Que tenhamos a coragem de nos livrar de tudo que possa nos desviar do caminho que nos une com o Pai.

(Amém) Que assim, seja!
        Amém, traduzido muitas vezes como “ >assim seja >”, tem origem hebraica, significando ainda “verdadeiro, firme seguro. Que todo esse caminho seja a nossa “verdade”, que “assim seja” a nossa trajetória iluminativa, para que finalmente possamos encontrar Deus dentro de nós mesmos, e a partir disso reconhecer a Sua presença em cada um dos seres vivos, e em todas as coisas.

       O “Pai Nosso” é trajetória psicoterapêutica de valor inestimável, que de >oração > deve transformar-se em ação¸ em cada um dos seus passos, para que um dia possamos ser perfeitos, como perfeito é o Pai Celestial.

Isis Sinoti

http://www.correioespirita.org.br/categorias/artigos-diversos/1499-a-proposta-de-crescimento-da-oracao-do-pai-nosso
http://www.correioespirita.org.br/categorias/artigos-diversos/1528-a-proposta-de-crescimento-da-oracao-do-pai-nosso-parte-2

Chapeuzinho Vermelho e o Encontro com a Sombra


Todos nós conhecemos a estória da menininha que levava doces para a sua vovozinha, Chapeuzinho Vermelho. Mas a maioria de nós nunca atentou aos profundos ensinamentos que essa ingênua estória carrega.

Chapeuzinho somos nós. Assim como ela, muitas vezes tentamos nos desviar do caminho, buscando atalhos ou mesmo nos distraindo com a paisagem e deixando de prestar a devida atenção à sombra que nos espreita. No entanto, como ensina Joanna de Angelis, “a sombra que predomina empana a capacidade de compreender e de definir rumos, retendo a criatura na comodidade dos interesses próximos que dizem respeito ao ego, à segurança pessoal e ao vicioso encurralamento nos limites da proteção arquitetada e construída”1.

Mas uma coisa é certa: teremos que nos encontrar com algo maior e mais sábio que nós, simbolizado no conto pela vovozinha. Como será esse encontro? Dependerá das escolhas que façamos no decorrer do caminho, que com certeza reserva algumas armadilhas.

Um olhar analítico da estória nos revela que, na condição de chapeuzinho, temos um trabalho a realizar: precisamos encontrar e alimentar uma parte em nós que representa a sabedoria (Self). Só que esse processo não seria completo se não confrontássemos com a sombra (o lobo), que na verdade não é necessariamente negativa, mas a sua atuação dependerá da nossa habilidade de reconhecê-la, principalmente porque ele, o lobo, tem o poder de nos devorar se não admitirmos a sua existência.

Sem esse encontro/confronto com a sombra parte da energia retida no inconsciente não seria disponibilizada para a renovação da vida, ou seja, a sombra reserva em si mesma energia disponível para a realização do objetivo existencial, e esse é o principal motivo para que busquemos identificá-la. Isso nos dá uma certeza, Chapeuzinho precisava encontrar com o lobo. O problema é que, assim como nós, ela é enganada por ele; somos muitas vezes seduzidos por uma força interna que, disfarçada em boas intenções, nos leva a atitudes e comportamentos que normalmente reprovaríamos, sem nos darmos conta que estamos sendo levados a agir na vida pela força da sombra.

Nesse ponto tomamos caminhos que nos distanciam de nós mesmos e nos deixamos enganar por argumentos que criamos para nos convencer, nos distraindo com o que não é realmente importante.

Resultado: sofremos por isso e queremos colher flores em terremos áridos do nosso ser, e para piorar nos afastamos do verdadeiro objetivo da nossa vida.

O que acontece? Quando ela (nós) chega à casa da vovozinha não a encontra, mas sim o lobo disfarçado, a sombra disfarçada em self, isso acontece porque tanto a vovozinha quanto o lobo são partes de nós tornando-se familiares. Na prática isso significa que facilmente nos enganamos com comportamentos sombrios que, por não cuidarmos, acreditamos que são comportamentos edificantes.

 Estamos tão distantes de nós que não somos capazes de reconhecer o nosso melhor, o nosso verdadeiro potencial. E ficamos satisfeitos com uma grotesca caricatura, um rascunho mal feito de nós.

Encontrar o lobo é acertar as contas com nós mesmos, e não podemos evitar isso, pois não adianta pegarmos o caminho errado e nos distrair achando que passará; uma hora nos depararemos com o mostro criado por nós e teremos que confrontá-lo, e muito provavelmente seremos atacados por ele. É nesse momento que, por exemplo, adoecemos, deprimimos e nos encontramos no vazio existencial.

Só a coragem para vencer (caçador) será capaz de nos libertar do aprisionamento devorador da sombra e, com isso, renascermos para uma nova possibilidade de vida, afinal, “o sentido psicológico da reencarnação é conseguir-se a transformação moral do ser e a liberação de todos os seus conteúdos ocultos...”2
.
 Isis Sinoti

1Joanna de Ângelis – Jesus e o Evangelho à luz da Psicologia Profunda, cap. 31

2 Joanna de Ângelis – Psicologia da Gratidão, cap. 2

http://www.correioespirita.org.br/categorias/filosofia-e-espiritismo-correio-espirita/1755-chapeuzinho-vermelho-e-o-encontro-com-a-sombra

O Objetivo de Vida


Jesus, quando viu chegada a hora derradeira, despediu-se de seus discípulos afirmando: “no mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (1)

Vencer o mundo, nas palavras de Jesus, é vencer-se a si mesmo.

O insigne codificador do Espiritismo perguntou aos Espíritos Superiores, encarregados de nos trazer a terceira revelação da lei de Deus:

— Qual o meio mais prático e eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? (2)

As entidades sublimadas lhe responderam, por intermédio das insipientes jovens que fizeram o intercâmbio, denominadas por Allan Kardec de médiuns, criando assim o neologismo:

— Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.

Ao dar essa resposta, o espírito se referiu ao sábio Sócrates, pai da filosofia grega, que viveu no século V, antes do Cristo.

Kardec, não se bastando com a resposta, volta a inquirir:

— Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém, a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo? (3)

Nesse momento, apresenta-se o espírito que está respondendo a essa questão: Santo Agostinho, considerado um dos pais da igreja católica, que participou, como um dos convidados por Jesus, no surgimento do Espiritismo, dando sua assinatura, nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos, juntamente com outros Espíritos Superiores. (4)

Nessa pergunta, desdobrada por Kardec, Santo Agostinho mostra como fez para conhecer-se a si mesmo, dando-nos a receita:

— Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.

A resposta é longa e belíssima, aqui não comporta transcrevê-la. Porém, compensa lê-la na íntegra.

Ele esclarece que conhecer-se si mesmo é a chave do progresso individual.

A paz será conseguida quando buscarmos conhecer a nós mesmos com firmeza de propósito, sem esmorecimento, na certeza de que o reino do bem ou do mal encontra-se em nós e não em objetos exteriores.

Jesus convidou-nos a segui-lo, sem prometer algo em troca, dizendo: Quem não toma a sua cruz e vem após mim, não é digno de mim. Quem acha a sua vida, perdê-la–á; quem, todavia, perde a vida por minha causa, achá-la-á. (5)

Perder a vida por causa de Jesus significa que quem quer conservar os desejos e as necessidades do corpo, vendo nisso a finalidade da existência, ficará obrigado a recomeçar suas provações numa nova encarnação. Renunciar a nós mesmos é, sobretudo, renunciar aos nossos defeitos. A vida do espírito é a única existência real.

Tomar nossa cruz é aceitar sem murmurações, com resignação, e tendo o reconhecimento de que as provações por que passamos são necessárias à nossa missão principal: evoluir.

Jesus, o divino modelo, aceitou as provações para o progresso de todos, sem merecer, sem culpa nenhuma a sofrer, como lição e exemplo em prol da nossa jornada para a suprema felicidade para a qual todos fomos criados.

A transformação em nosso planeta se faz necessária. O nosso Brasil passa por momentos difíceis. A nossa participação é fundamental. Cada um de nós é responsável por essa mudança, como célula da sociedade. O nosso pensamento gera a atitude, a atitude proporciona a ação e por meio da ação atingimos o resultado. Se os resultados não estão bons, invertamos o caminho mudando nossas ações com novas atitudes e novo modo de pensar.

Agindo com bom senso, pensando no bem de todos, construiremos um mundo melhor.
Em O Livro dos Espíritos, as entidades sublimadas deixaram escrito o roteiro para a felicidade:

 FAZER O BEM CONSTITUI O OBJETIVO ÚNICO DA VIDA. (6)

Muita paz!

Notas bibliográficas:
1 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – João, 16, 33.
2 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 919.
3 – Idem, ibidem – Questão 919a.
4 – Idem, ibidem – Prolegômenos.
5 – A Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Mateus, 10, 38 e 39.
6 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Questão 860.

Fonte http://www.correioespirita.org.br/categorias/filosofia-e-espiritismo-correio-espirita/1865-o-objetivo-da-vida
Quando estamos necessitados, oremos a Deus clamando..., assim como o filho ao um pai, com sentimento.
O socorro está a caminho, basta confiar. Nem sempre nos chega da maneira que desejamos, mas sim, da maneira que necessitamos! Deus sabe a necessidade de cada filho.
E esse socorro vem de encontro com partes psicológicas que devem ser trabalhadas em nós, sacudindo com o nosso orgulho, a falta de fé, a busca da gratidão e tantos mais... Começando a quebrar tabus, mitos, bloqueios e traumas que nos impedem de ver a felicidade ao redor e consequentemente, de evoluir.
Situações e sentimentos se repetem porque não foram resolvidos em nós e a paciência será a ferramenta que nos auxiliará à superação.
 O estudo nos abre a mente e começamos a entender os porquê da vida. Fomos feitos para desafios e é o que teremos no decorrer da mesma, eles nos tiram da zona de conforto, estimulando o crescimento intelectual e moral.
Tenhamos força, fé e coragem.
Elaine Saes 
 Joanna de Ângelis nos diz:


(…) O teu sinal de vinculação com Deus é a prece.
Fala-Lhe em linguagem simples, honesta, entregando-te aos Seus planos e rogando-lhe entendimento para melhor discerni-los.
Sentirás a presença de Deus através da paciência ante as circunstâncias difíceis, da resignação em face dos problemas que não podem ser solucionados; da coragem perante os testemunhos, e o amor sempre, em todos os momentos e situações.
Quem pensa em Deus, nutre-se de paz.
Quem se comunica com Deus, estua de recurso e forças para vencer-se e mais ajudar.

Joanna de Ângelis – livro Otimismo psicografia de Divaldo Pereira Franco
 




quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

AS SÉRIES PSICOLÓGICAS DE JOANNA DE ÂNGELIS

MÓDULO 1 - A SÉRIE PSICOLÓGICA E A ESTRUTURA DA PSIQUE
MÓDULO 2 - A CONCIÊNCIA
 MÓDULO 3 - LIBERTAÇÃO DO EGO
MÓDULO 4 - RUMO AO INCONCIÊNTE
MÓDULO 5 - A SOMBRA
MÓDULOS 6 - AS EMOÇÕES E SENTIMENTOS
MÓDULO 7 - OS GIGANTES DA ALMA
MÓDULO 8 - RELACIONAMENTOS
MÓDULO 9 - ETAPAS DA VIDA
MÓDULO 10 - O SOFRIMENTO
MÓDULO 11 - ENCONTRO COM A SAÚDE
MÓDULO 12 - SAÚDE MENTAL
MÓDULO 13 - PSICOPATOLOGIAS
MÓDULO 14 - CRISES EXISTENCIAIS E DA ERA MODERNA
MÓDULO 15 - O SENTIDO DA VIDA
MÓDULO 16 - O MUNDO SIMBÓLICO
MÓDULO 17 - O SELF E O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO
MÓDULO 18 - RELIGIOSIDADE
MÓDULO 19 - AS VIRTUDES DA ALMA
MÓDULO 20 - AMOR IMBATÍVEL AMOR